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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Medo

Tenho medo de mim, agora. Medo do que possa ser de mim se eu perceber que tudo aquilo que possuo realmente não me pertence, nem pertencerá. Medo de que seja utopia essa coisa  de céu, praia e férias. Medo do que pode ser do ‘nós’ sem o ‘tu’. Medo de onde vou achar lugar que caiba esse sentimento tão bonito, tão colorido aos olhos meus. Medo de ser quem eu posso ser se eu não couber mais em ti quando tu não cabe mais em mim, quando tu me extravasou, me expôs ao limite, me fez querer. Medo de que a qualquer momento eu seja só mais alguém que passou, que já passou. Medo de pensar: mais um dia e isso não passou. Medo de uma linha imaginária separando nossos seres tão iguais. Medo da indiferença, medo da ausência no toque do meu celular, medo do medo. Medo de sentir esse medo. Medo que tu não saiba o quanto estou aqui, e medo que saiba. Medo da dependência quase que química da tua pele. Medo do teu sorriso sem eu do outro lado. Medo de o vento trazer teu cheiro em noites vagas de solidão. Em noites em que sou vagão e trilho. Medo do silêncio na tua janela quando eu por ali passar e relembrar. Medo de não te ter, medo de te perder. Medo de nunca ter tido, sido, ido. Medo que o clarão dos teus olhos se torne sobra de um pesadelo. Medo de querer demais. Medo de saber de menos. Medo da ilusão, da solidão. Medo de pertencer a corpos vazios só para não pensar. Só para não lembrar. Medo de ter que dar a outra pessoa tudo que parece hoje ser tão teu. Tudo que preciso hoje que seja teu, tudo que JÁ É teu. Medo de isso doer e latejar no corpo que tira hoje o teu suor.  Medo. Medo meu, só meu. Medo companheiro, até te ter novamente e sorrir, como se medo não houvesse jamais por aqui.

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