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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Jasmim da noite

Deslumbrante e sorridente, ela veio numa nuvem colorindo meu horizonte. Trouxe com ela uma leveza acompanhada de paz de espírito. Mutante bailarina, brinca. Leve, ela surfa por entre o emaranhado dos meus cabelos, e bebe do meu suor. Dança na minha imaginação e desliza em minha pele pra morrer nos meus lábios molhados. Sua silhueta impecavelmente ajustada me faz delirar como fosse ópio. Se infiltra, invade, penetra todo o meu inteiro que sem ela é metade. Brinda minha fantasia, completa minhas virtudes, avança em mim, me traça. Percorre meu corpo, deslizando a ponta dos dedos como quem faz uma trilha. Presente trazido da mais linda pérola do mais profundo obscuro oceano azul. Ave de rapina, me cata no chão, me leva às alturas, me solta em queda livre a me agarra no ar. Ela é o jasmim mais perfumado do jardim mais decorado da cidade mais bonita, e a dama-da-noite mais perigosa da floresta mais selvagem da cidade mais distante. Ela é o mais antigo trem, da mais antiga estação, e eu a mais deserta ferrovia. E ainda assim ela me percorre. Eu sou o mais perigoso labirinto, da mais doida história da mitologia grega, ela é o meu minotauro. Ela é minha fada, minha maçã proibida, meu conto mais bonito. Ela é o meu ponto de chegada, meu abrigo, minha partida. Refletida em amor, verso, posa, poesia e pôr do Sol, ela é o eu, do outro lado de mim. 

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