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domingo, 4 de setembro de 2011

Codinome beija-flor


Às vezes me pergunto o motivo de mentirmos tanto se quando nossos olhos se tocam tudo fica absurdamente claro.  Temos o dom de enraizar caras bobas em nossos rostos, como se ninguém fosse perceber que aqui e aí dentro há um vulcão em erupção. Ah, o teu ‘amor de vulcão’... parecemos duas idiotas ao tentar disfarçar aquele assunto interessante que rola antes de alguém se aproximar. Até parece que ao nosso redor existe um bloqueio automático para futilidade. Nós combinamos e pertencemos como se nada mais existisse. No entanto, quando nos percebemos distantes, o desespero de contato chega a ser fatal. Tento controlar, mas parece instinto. Tu me cutuca, ou faz ‘crrrrrrr’, e de vez em quando dá pequenos pontapés na zona frontal de meu all star, e isso me deixa tensa, pois conheço o significado “te quero agora” por trás desses gestos. Consegues fazer o impossível pra chamar a minha atenção, como se ela fosse capaz de em algum momento se desfocar da tua íris. Teu sorriso safado me tira do ar, e novamente me perco no teu grooving. Raramente consigo me controlar um pouco, mas quando o faço, te tiro do sério. E então me provoca, me enlouquece e faz beicinho. Reclama de mim e me puxa pra perto com os braços mesmo, sem usar a sintonia. Pois então, conversemos sério. Te amo nos detalhes, guria. Te amo nas gotículas de suor no meu lençol, e te amo no esquecimento do tempo. Te amo nas partículas de oxigênio que teus pulmões inspiram, e te amo em cada átomo que te compõe. E bebo de ti como uma taça do vinho mais saboroso da vinícola mais nobre. Descubro uma trilha de fios de cabelo a começar pela minha cama, e terminando na porta de entrada da minha casa, lembrando-me que em algum momento por ali entraste, e por ali saíste. Inspirando-me então a lembrar que amanhã, por aquela porta entrarás novamente, e que minhas tentativas de apagar teus resíduos na minha vida seriam todas em vão. Porque te quero hoje, como jamais quis alguém ontem... e menos de tudo que te quererei amanhã. O vazio dentro de mim, na tua presença se vai, se esvai, evapora. Com ele, todo meu juízo, ou o que ainda me restava dele. Tua respiração me deixa tonta, teus olhos carentes me seduzem, me levam. Tua boca me provoca, me inspira e me confunde. Teu corpo me eletrocuta ao mesmo tempo em que em mim, és magnética. E te quero hoje, amanhã e pra todo sempre. Quero tua chama, teu calor e o teu corpo-fogo-ensolarado, que me faz delirar. Portanto vem logo, que pra saudade não me matar. Que é pra vida não me afogar na lembrança da tua saliva. Que é pro tempo parar correr, ou pra correr mais, tanto faz. Vem, e tira minha respiração daqui, me leva pra ti. Me carrega pro teu mar, e deixa meu corpo arder em delírio. Vem, e me tira de mim. Me transborda, me transpira e me eleva. Vem que eu levito em pensamento, só de refletir sobre o significado que o silêncio passou a ter depois da tua chegada. E muito além de qualquer coisa, seja bem vinda.

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