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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Brincando com fogo


                         



E sobrevoam minha mente milhares de paranóias em torno do fogo. Não a vi ali, mas pude senti-la. E cada vez que a sinto na presença do fogo, lembro o quanto eu deslizo na tóxica corda bamba deste maravilhoso circo. O vôo das claves no ar respinga diesel no meu coração e põe em fogo em minha esperança, me transformando em cinzas. E tudo que eu tenho é nada. Cabeça baixa como quem pede perdão, eu a imagino na cena. E a vejo ali, deslumbrante em chama ardente e viva que brilha nos meus olhos ao mesmo tempo em que queima. Por dentro, me contorço em um ritmo frenético de quem declara suicídio instantâneo. E a vejo viva e forte. E a vejo digna de todo meu amor. Mas de repente o vejo. E eu adentro a cena, brincando com fogo. Nesse circo, eles são a técnica. Eu sou o coração. Coração é café-com-leite, não brinca com fogo. Não sabe brincar. Não tem técnica. O coração é só a decoração da peça. O cenário, talvez.
Em outra imagem do meu alucinante imaginário espetáculo, eles enterram todas as espadas mágicas no meu peito. Mas ela vai lá, tira e eu fico intacta. Eu sou assistente. Assistente não desiste, não fala, não opina. Assistente não foge. Assistente não corre. Assistente não morre.  Assistente não desliza no perigo porque não tem técnica. Assistente só vive a adrenalina de estar em palco enquanto está de olhos vendados. Assistente é coração e silêncio. E eu, eu não sou nada. As cortinas se fecham, eles entrelaçam suas mãos para os aplausos, e então nós nada somos.
Enquanto isso do lado oposto da cortina, a assistente vira as costas. Eles agradecem.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Tenho me sentido muito estranha, sabe? Não tenho me reconhecido, tenho andado distraída, cansada do mundo, com preguiça de algumas pessoas, de algumas coisas. Tenho me sentido presa de várias formas. Tenho sido presidiária de minha própria mente, e tenho ficado aluada com muita freqüência. Inconstância é a palavra que melhor me define. Tenho andado de saco cheio. Ando querendo viver, fazer somente o que quero. Preciso de férias, praia, Sol e sorrisos. Preciso de sombra, suco à beira-mar, fruta fresca e beijos molhados. Tenho sido dependente de uma sintonia, de uma freqüência que é magnética em mim, de corpo e mente. Estou louca, revirada, e estranhamente feliz. Mas com um buraco, uma angústia anormal aqui dentro. Uma esquisita falta de ‘não-sei-o-quê’ me perturba no meu mais profundo interior. Uma mistura, um elo do bem com o mal, transformado em sei lá eu o que. Muito doido.

sábado, 24 de setembro de 2011

*

Duas pessoas resolveram acontecer. Você está entre elas e é isso que dói um pouco.
*Gabito Nunes

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Paixão *

Amo tua voz e tua cor
E teu jeito de fazer amor
Revirando os olhos e o tapete,
Suspirando em falsete
Coisas que eu nem sei contar.
Ser feliz é tudo que se quer!
Ah! Esse maldito fecheclair!...
De repente, a gente rasga a roupa
E uma febre muito louca
Faz o corpo arrepiar.
Depois do terceiro ou quarto copo
Tudo que vier eu topo.
Tudo que vier, vem bem.
Quando bebo perco o juízo.
Não me responsabilizo
Nem por mim, nem por ninguém.
Não quero ficar na tua vida
Como uma paixão mal resolvida
Dessas que a gente tem ciúme
E se encharca de perfume,
Faz que tenta se matar.
Vou ficar até o fim do dia
Decorando tua geografia
E essa aventura
Em carne e osso
Deixa marcas no pescoço.
Faz a gente levitar.
Tens um não sei que de paraíso
E o corpo mais preciso
Que o mais lindo dos mortais.
Tens uma beleza infinita
E a boca mais bonita
Que a minha já tocou.

Kleiton e Kledir

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Jasmim da noite

Deslumbrante e sorridente, ela veio numa nuvem colorindo meu horizonte. Trouxe com ela uma leveza acompanhada de paz de espírito. Mutante bailarina, brinca. Leve, ela surfa por entre o emaranhado dos meus cabelos, e bebe do meu suor. Dança na minha imaginação e desliza em minha pele pra morrer nos meus lábios molhados. Sua silhueta impecavelmente ajustada me faz delirar como fosse ópio. Se infiltra, invade, penetra todo o meu inteiro que sem ela é metade. Brinda minha fantasia, completa minhas virtudes, avança em mim, me traça. Percorre meu corpo, deslizando a ponta dos dedos como quem faz uma trilha. Presente trazido da mais linda pérola do mais profundo obscuro oceano azul. Ave de rapina, me cata no chão, me leva às alturas, me solta em queda livre a me agarra no ar. Ela é o jasmim mais perfumado do jardim mais decorado da cidade mais bonita, e a dama-da-noite mais perigosa da floresta mais selvagem da cidade mais distante. Ela é o mais antigo trem, da mais antiga estação, e eu a mais deserta ferrovia. E ainda assim ela me percorre. Eu sou o mais perigoso labirinto, da mais doida história da mitologia grega, ela é o meu minotauro. Ela é minha fada, minha maçã proibida, meu conto mais bonito. Ela é o meu ponto de chegada, meu abrigo, minha partida. Refletida em amor, verso, posa, poesia e pôr do Sol, ela é o eu, do outro lado de mim. 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Medo

Tenho medo de mim, agora. Medo do que possa ser de mim se eu perceber que tudo aquilo que possuo realmente não me pertence, nem pertencerá. Medo de que seja utopia essa coisa  de céu, praia e férias. Medo do que pode ser do ‘nós’ sem o ‘tu’. Medo de onde vou achar lugar que caiba esse sentimento tão bonito, tão colorido aos olhos meus. Medo de ser quem eu posso ser se eu não couber mais em ti quando tu não cabe mais em mim, quando tu me extravasou, me expôs ao limite, me fez querer. Medo de que a qualquer momento eu seja só mais alguém que passou, que já passou. Medo de pensar: mais um dia e isso não passou. Medo de uma linha imaginária separando nossos seres tão iguais. Medo da indiferença, medo da ausência no toque do meu celular, medo do medo. Medo de sentir esse medo. Medo que tu não saiba o quanto estou aqui, e medo que saiba. Medo da dependência quase que química da tua pele. Medo do teu sorriso sem eu do outro lado. Medo de o vento trazer teu cheiro em noites vagas de solidão. Em noites em que sou vagão e trilho. Medo do silêncio na tua janela quando eu por ali passar e relembrar. Medo de não te ter, medo de te perder. Medo de nunca ter tido, sido, ido. Medo que o clarão dos teus olhos se torne sobra de um pesadelo. Medo de querer demais. Medo de saber de menos. Medo da ilusão, da solidão. Medo de pertencer a corpos vazios só para não pensar. Só para não lembrar. Medo de ter que dar a outra pessoa tudo que parece hoje ser tão teu. Tudo que preciso hoje que seja teu, tudo que JÁ É teu. Medo de isso doer e latejar no corpo que tira hoje o teu suor.  Medo. Medo meu, só meu. Medo companheiro, até te ter novamente e sorrir, como se medo não houvesse jamais por aqui.

Texto de Fernanda Mello, feito pra nós. Do início ao fim.

Não consigo resistir a escrever sobre você. Você e seu jeito confuso. Você e esse rosto. De onde você tirou esse rosto? Meus Deus, aonde foi que você aprendeu a me olhar assim? Vai, toma, leva. Me emprestei um pouco, agora leva o resto. Não tenho o que fazer com o que ficou de mim. Olha, amo você. Não te conheço mas amo. Assim como amo minha loucura. Me entende? Eu sei que sim. Porque você é mais louco que eu, achei alguém mais louco e lindo que eu. E você escreve, meu Deus. Escreve lindo, suas palavras são tão eternas que eu poderia morar nelas e ser cada letrinha de sua frase. Me salva no seu computador, escreve uma história linda para me matar de vez. Nossa loucura junta nos salva. Você me salva. Você ama meu lado obscuro, você ama quando eu fico brava, você ama o que há de pior em mim. Aonde já se viu isso? Então leva. Me leva e não devolve. Me leva e constrói um bar, vamos ler Jonh Fante, ficar bêbados de Rimbaud, vamos fazer alguma coisa grave porque nada mais nos resta. Te resta? Eu te resto. Eu e nossa loucura. Nossos planos foram reduzidos a pó. Junta nosso lixo, joga tudo fora. Não temos nada pra sonhar. Mas temos vida, um coração que ainda bate. Temos nossa falta de juízo, nossas palavras, nossos livros e uma imaginação sem fim. Será preciso mais?

sábado, 10 de setembro de 2011

Sabe aqueles dias em que tudo parece errado? Refiro-me aos dias em que tudo te leva a crer que você só tem feito merda, e isso te faz sentir só mais um ser humano perambulante frente à inquieta e radical sociedade em que vivemos. Sim, estou nesse dia. Tudo muito fora do lugar, qualquer lugar é um mero vazio. Mas na verdade não, não ‘qualquer lugar’. Na verdade a vida tem sido boa demais, e isso não é de um todo assim tão bom. Tenho compromissos, espero e-mails, respostas, orientações, telefonemas. Mas na verdade nada disso é o que eu espero com esperança. Essas coisas eu espero com ansiedade, roendo as unhas e perdendo fios de cabelo sãos, ganhando alguns – vários – brancos. O que eu espero com ansiedade se difere daquilo que eu espero com esperança. O que eu espero com esperança está aqui, ali e em toda parte. O que eu espero com ansiedade vai me matando por dentro todos os dias ociosos, que são repletos de coisas para fazer. Tudo bem se você, leitor, está aí deste lado da vida me chamando de doida e não compreendendo uma palavra dessa confusão interna. Mas o que eu quero dizer aqui, de fato, é que eu to de saco cheio. Não agüento mais TER que fazer, TER que ir, TER que terminar, TER que me dedicar, TER que pensar. A vida tá boa demais, mesmo. Tenho dado os melhores sorrisos, tenho tido momentos únicos ao lado de novas pessoas, tenho me divertido como há muito tempo não fazia. Mas tenho mil coisas pra fazer e estou desanimada, desmotivada, nesse momento estou despreparada para encarar isso de frente. Pela primeira vez na vida não estou conseguindo conciliar as coisas. Tenho andado distraída demais para me concentrar em coisas que não estão no centro das minhas atenções agora. Preciso dar um tempo, mas não posso. Quero viver esse momento louco e delicioso da vida... Brincar de perder tudo e ver até aonde as coisas vão. Mas não posso me dar ao luxo de ser burra, não agora. Não aqui, não nessas alturas do campeonato. Nunca fui nem nunca serei uma desistente. Mas existe algo em que eu sou muito boa: a procrastinação. Talvez ela seja boa comigo agora, talvez me faça bem. Eu preciso arriscar, e tirar todo esse nó da garganta que vem só pra eu me sentir culpada por ser irresponsável por um grande período. Preciso deixar de ser irresponsável. Ou voltar a ser responsável, não sei. Mas nesses dias em que tudo está de cabeça pra baixo, e a gente caminha por uma estrada em que cada carro que passa te enche de poeira, e o Sol te torra e derrete... e por ali tu caminha em direção dos afazeres pensando em como deixar de adiar as coisas e como fazer tudo da melhor forma possível, Deus te manda uma alma iluminada que te traz sossego e paz em forma de carona. Dentro do carro, em segurança, uma voz doce ecoa na tua mente dizendo: viu, minha filha? Tu não estás tão sozinha quanto pensas. Isso me faz refletir que eu realmente preciso voltar pros eixos, mas que o primeiro passo talvez eu já tenha dado: a reflexão.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O [in]verso do inacabado


Eu te amo com o amor sábio de poeta. Te amo com amor de pôr-do-Sol, entende? Te amo com a trilogia do mar, te amo rock ‘n’ roll, te amo grooving, te amo batida e melodia. Te amo em som e composição. Te amo em clareira, em fogo, em chama. Te amo em oxigênio e amo em inspiração. Te amo nua, crua, cheia de defeitos e incertezas. Te amo cansada, obstinada, aluada. Te amo dia de inverno. Te amo em contradição e em notas perdidas no violão do embriagado. Te amo equilibrista, te amo em escrita, em prosa, em verso e em inverso. Te amo do avesso no sábado de ressaca, mal amada, mal sentida, mal compreendida. Te amo dependente, te amo inconsequente. Te amo como quem ama o mar e a natureza. E desse dia em diante te amo no sonho mais real. Te amo intensa, confusa, ingênua e bipolar. Enfim, chegamos. Sonhamos, amamos, vivemos e sentimos. E passamos a ser, quando fomos. E fomos. E somos, e esperamos sempre por um pouco mais. Um gole a mais. Um minuto a mais, por toda a eternidade.

domingo, 4 de setembro de 2011

Codinome beija-flor


Às vezes me pergunto o motivo de mentirmos tanto se quando nossos olhos se tocam tudo fica absurdamente claro.  Temos o dom de enraizar caras bobas em nossos rostos, como se ninguém fosse perceber que aqui e aí dentro há um vulcão em erupção. Ah, o teu ‘amor de vulcão’... parecemos duas idiotas ao tentar disfarçar aquele assunto interessante que rola antes de alguém se aproximar. Até parece que ao nosso redor existe um bloqueio automático para futilidade. Nós combinamos e pertencemos como se nada mais existisse. No entanto, quando nos percebemos distantes, o desespero de contato chega a ser fatal. Tento controlar, mas parece instinto. Tu me cutuca, ou faz ‘crrrrrrr’, e de vez em quando dá pequenos pontapés na zona frontal de meu all star, e isso me deixa tensa, pois conheço o significado “te quero agora” por trás desses gestos. Consegues fazer o impossível pra chamar a minha atenção, como se ela fosse capaz de em algum momento se desfocar da tua íris. Teu sorriso safado me tira do ar, e novamente me perco no teu grooving. Raramente consigo me controlar um pouco, mas quando o faço, te tiro do sério. E então me provoca, me enlouquece e faz beicinho. Reclama de mim e me puxa pra perto com os braços mesmo, sem usar a sintonia. Pois então, conversemos sério. Te amo nos detalhes, guria. Te amo nas gotículas de suor no meu lençol, e te amo no esquecimento do tempo. Te amo nas partículas de oxigênio que teus pulmões inspiram, e te amo em cada átomo que te compõe. E bebo de ti como uma taça do vinho mais saboroso da vinícola mais nobre. Descubro uma trilha de fios de cabelo a começar pela minha cama, e terminando na porta de entrada da minha casa, lembrando-me que em algum momento por ali entraste, e por ali saíste. Inspirando-me então a lembrar que amanhã, por aquela porta entrarás novamente, e que minhas tentativas de apagar teus resíduos na minha vida seriam todas em vão. Porque te quero hoje, como jamais quis alguém ontem... e menos de tudo que te quererei amanhã. O vazio dentro de mim, na tua presença se vai, se esvai, evapora. Com ele, todo meu juízo, ou o que ainda me restava dele. Tua respiração me deixa tonta, teus olhos carentes me seduzem, me levam. Tua boca me provoca, me inspira e me confunde. Teu corpo me eletrocuta ao mesmo tempo em que em mim, és magnética. E te quero hoje, amanhã e pra todo sempre. Quero tua chama, teu calor e o teu corpo-fogo-ensolarado, que me faz delirar. Portanto vem logo, que pra saudade não me matar. Que é pra vida não me afogar na lembrança da tua saliva. Que é pro tempo parar correr, ou pra correr mais, tanto faz. Vem, e tira minha respiração daqui, me leva pra ti. Me carrega pro teu mar, e deixa meu corpo arder em delírio. Vem, e me tira de mim. Me transborda, me transpira e me eleva. Vem que eu levito em pensamento, só de refletir sobre o significado que o silêncio passou a ter depois da tua chegada. E muito além de qualquer coisa, seja bem vinda.