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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Ne me quitte pas


Ouvindo “Ne me quitte pas” na voz doce e pesada da Maysa, resolvi procurar a razão que existe lá no fundo de mim pra essa música me tocar tanto e de uma forma tão absurdamente intensa, desde criança. Composta por Jacques Brel, parece que foi feita pra mim. É fato que a música me chamou atenção pela primeira vez quando tocou em Presença de Anita – minissérie da Rede Globo, pra quem não sabe -, e talvez tenha sido por causa da complexidade de uma paixão desenfreada com aquele mix de amor e ódio tão óbvio na série, e essa mistura sempre mexeu muito com meu interior. Porém, acredito que eu ainda não tinha idade para compreender aquelas coisas na época. Indo bem ao fundo, lá dentro de mim, sinto que essa música traz todas as coisas da minha alma; a paixão que me inspirou a vida, e a intensidade que tenho aqui dentro constantemente. Acredito que todas as coisas da vida devem ser intensas, e que a paixão sobre todas essas coisas deve ser uma chama ardente dentro de cada um. Vivo e sigo a cada novo dia inspirada por paixões, não somente em relações amorosas, mas em tudo aquilo que escolho focar. A paixão está sempre presente nas minhas decisões, e essa música desperta em mim algo que nenhuma outra consegue. Desperta a ferocidade de tudo aquilo em que toco. Desperta o fogo da minha obstinação. Existe dentro de mim, além de uma luxúria eterna, uma determinação incontrolável com aquilo que quero. Foco tão fundo nas coisas que acabo cegando até alcançá-las. E com os últimos acontecimentos, voltei a ouvi-la. Só que é muito estranho, porque essa música exerce um poder tão forte sobre mim, que não consigo nunca ouvi-la somente uma vez. E ela não me deixa triste, ou feliz. Me faz refletir, e muitas vezes me inspira as decisões que preciso tomar. Por isso, decidi tatuar um trecho dela. Marcá-la pra todo sempre em minha pele – enquanto ela existir -, como está marcada na minha alma, que é eterna. E, como sou espírita, me pergunto: de onde vem esse turbilhão de sensações que ela me causa? Em que vida comecei a sentir que existe dentro de mim algo tão semelhante com essa letra? Será que a ouvi numa outra vida, em alguma ocasião? Não sei; Mas definitivamente é a música da minha vida, ontem, hoje e sempre. Colocarei abaixo a letra e a tradução, para quem se dispuser a conhecer um pouco de mim. Ou talvez tudo em mim.


Ne me quitte pas - Jacques Brel (1959)

Ne me quitte pas
                                              Il faut oublier
  Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
 Et le temps perdu
À savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
À coups de pourquoi
Le coeur du bonheure
Ne me quitte pas (x4)
Moi je t'offrirai
Des perles de pluie
Venues de pays
Où il ne pleut pas
Je creuserai la terre
Jusqu'après ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je ferai un domaine
Où l'amour sera roi
Où l'amour sera loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas (x4)
Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insensés
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants là
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embrasser
Je te raconterai
L'histoire de ce roi 
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer 
Ne me quitte pas (x4)
On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est paraît-il
Des terres brûlées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril 
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir 
Ne s'épousent-ils pas
Ne me quite pas (x4)
Ne me quite pas
Je ne veux plus pleurer
Je ne veux plus parler
Je me cacherai là
À te regarder Danser et sourire
Et à t'écouter Chanter et puis rire
Laisse-moi devenir 
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas (x4)




Tradução:

Não me deixe

Não me deixe
Devemos esquecer
Tudo pode ser esquecido
Que já tenha passado
Esquecer os tempos
Dos mal-entendidos
E os tempos perdidos
Tentando saber como
Esquecer as horas
Que as vezes mataram
Com golpes de porquê
O coração da felicidade
Não me deixe

Eu te oferecerei
Pérolas de chuva
Vindas de países
Onde não chove
Eu vou cavar a terra
Até após a minha morte
Para cobrir o seu corpo
De ouro e luzes
Eu farei um reino
Onde o amor será rei
Onde o amor será lei
Onde você será rainha
Não me deixe

Não me deixe
Eu inventarei
Palavras sem sentido
Que você compreenderá
Eu te falarei
Sobre os amantes
Que viram duplamente
Seus corações se beijarem
Eu te contarei
A história deste rei
Morto por não poder
Te reencontrar
Não me deixe

Nós frequentemente vemos
Renascer o fogo
Do vulcão antigo
Que pensamos estar velho demais
Nos é mostrado
Em terras que foram queimadas
Nascendo mais trigo
Do que no melhor abril
E quando vem a noite
Com um céu flamejante
O vermelho e o negro
Não se casam
Não me deixe (

Não me deixe
Eu não vou mais chorar
Eu não vou mais falar
Eu me esconderei lá
Para te contemplar
A dançar e sorrir
E para te ouvir
Cantar e, então, rir
Deixe que eu me torne
A sombra da sua sombra
A sombra da sua mão
A sombra do seu cachorro
Não me deixe 


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