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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Para pensar...


E ela se sentia sozinha. Solidão tomava conta de cada pedacinho daquele coração aprisionado e partido. Sentia-se tão sozinha, que chegava a crer que ali dentro não havia mais nada.  Parecia escondida dentro de um casulo impenetrável. Olhava pro lado, e não gostava do que via, mas não gostava principalmente do que sentia a cada vez que via. Sim, porque via, mas não enxergava. Naquele lugar, tudo era sempre a mesma coisa, nada a desvendar, nada a descobrir, nada que pudesse seduzi-la e o que a incomodava mais era principalmente a inexistência de qualquer coisa, por menor que fosse que pudesse preencher aquele vazio. Não havia mais graça, não havia mais vida. E logo percebeu que sua vida é uma eterna teatralização dos sentimentos. Amava? Sim, mas não como gostaria. Não um amor que ainda possuísse a capacidade de encantá-la da forma como gostaria. Nada de magia, nada de brilho ou até mesmo qualquer sinal de vida. Nada que pudesse conquistá-la, ou fazer o coração bater mais forte. Todos os dias, a rotina se via em sequência, porque ao deitar sabia exatamente o que teria que fazer no dia seguinte. Procurava em outras bocas um sorriso que poderia ser vital, e na verdade nunca era. Procurava em outros corpos o calor que gostaria de sentir em si. Procurava em outros olhares o brilho que gostaria de ver em frente ao espelho. A cada nova semana fazia exatamente a mesma coisa. Tomava as mesmas decisões, e nada. Vários corpos, várias bocas que se tornavam coisas maravilhosas por um curto espaço de tempo. Do nada, perdiam a graça tão rápido quanto ganhavam toda sua atenção. Na boca do parceiro, procurava encontrar o que as pessoas procuram atrás do arco-íris. Só que o que ela não sabe, é que não existe nada atrás do arco-íris, além de vida. E essa vida atrás do arco-íris existe somente porque é assim que as coisas são. Não adianta procurar algo que somente se ouve falar que existe. É preciso muito autoconhecimento para se aventurar no desconhecido. É preciso saber o que se quer, é preciso focar. Se o que se quer é o desconhecido, é preciso conhecê-lo ou no mínimo enfrentá-lo. É preciso uma grande carga de coragem e uma meta. Se tudo aquilo que tens te faz mal, então é necessário perder o medo para prosseguir. Se medo é tudo o que tens, ele é tudo o que terás sempre; porque é preciso muita determinação pra mudar uma vida de mesmice e solidão.


Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro.” Clarice Linspector


“Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite.” Clarice Linspector

“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.” Clarice Linspector

“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome.” Clarice Linspector

“Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária.” Clarice Linspector

“..estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda.” Clarice Linspector

“Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... 
Ou toca, ou não toca.” Clarice Lispector

“Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.” Clarice Linspector

“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.” Clarice Lispector






PS.: Se você se identificou com esse texto de alguma forma, leia isso: http://letras.terra.com.br/katy-perry/1731882/#traducao e ouça essa música.

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