Certo dia, conheci alguém. Um alguém que gostou de mim, e do qual eu gostei. E esse alguém que conheci, de forma estranha me reconheceu. Nos reconhecemos, até que por uma desculpa qualquer resolvemos nos conhecer, para tentar descobrir de onde nos [re]conhecíamos e como isso aconteceu. Nessa aventura doida de descobrir de onde nos conhecíamos, percebemos que não nos conhecíamos de verdade; Mas nos reconhecíamos, de fato. Entre uma conversa ou outra, fomos nos reconhecendo e nos conhecendo não tão gradativamente. E enfim nos conhecemos. E ao nos conhecermos, percebemos que talvez tivéssemos sido feitas uma pra outra. E ao perceber que talvez nós realmente fossemos feitas uma pra outra, passamos a querer nos conhecer melhor. E ao nos conhecer melhor, passamos a perceber que talvez gostaríamos de nos reconhecer através de algum rótulo qualquer. E ao pensar na possibilidade de um rótulo qualquer, insconscientemente fomos arrancando de nós o rótulo que já possuíamos, e colocando letrinha por letrinha de um novo rótulo. Esse rótulo, por sinal, era mais colorido, mais bonito e tinha vida. E então nos rotulamos, sem que a outra soubesse. E enquanto nos rotulávamos, pensávamos no que a outra faria se soubesse que já estávamos nos rotulando. E ao pensar nisso, sentíamos um medo estranho de rotular sozinha o que para cada uma de nós, era um desejo muito forte e que deveria ser recíproco. E ao perceber nossos novos rótulos, nos assustávamos. Até que um dia resolvemos, reciprocamente sem quere, assumí-los. A surpresa chegou a ser ainda maior quando percebemos que, ao retirar qualquer máscara, nós realmente éramos iguais. E nossos rótulos eram iguais. E nossos sentimentos eram iguais. E as nossas vidas eram iguais. E tudo em nós era tão igual, que estávamos prestes a mostrar ao mundo que éramos iguais. E quando nos mostramos ao mundo... nós mesmas e nossos rótulos, o mundo percebeu que nós éramos iguais. Mas o mundo era preconceituoso, e não suportava o quanto éramos iguais. E quanto mais mostrávamos ao mundo, mais ele se escondia de nós. E quanto mais o mundo se escondeu de nós, mais tempo ficamos juntas enfrentando-o e cada vez éramos mais iguais. E quanto mais éramos iguais, mais queríamos ser um só. E quando isso aconteceu, descobrimos a felicidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário