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domingo, 4 de agosto de 2013

Resiliência

A cadela neurótica da vizinha late sem parar na minha janela. E eu me pergunto quando vou rir disso tudo. [re]começar a escrever é um bom passo, pois é o que me livra das sombras que eu crio em mim e não conto pra ninguém. A minha poesia é o que me livra da loucura. Que bom ter este blog-esconderijo pra pirar. Aqui é bom porque não sou invisível, mas é como se eu fosse. Estava há quase um ano sem escrever nada, e este é o segundo post do dia. Isso é bom, estou tentando um 'heal'. Sinto que a minha loucura está aumentando conforme os dias passam, e voam, mas não acabam. Estar aqui é como ficar preso em um determinado período do passado. A gente espera o futuro, e ele até vem. Mas vem de jegue. Não sei como pode: os dias voam, mas a minha liberdade não chega. A vida é feita de escolhas, claro. Eu fiz as minhas. Mas ao ver as minhas escolhas feitas, vejo tantos pedaços pelo caminho. Sei que a vida é feita disso. Mas hoje eu sofro pelos amigos verdadeiros que ficaram pelo caminho entre esses 250 km de solidão inundada. Sofro quando vejo meus irmãos crescendo sem minha presença. Sofro ao ver meus avós envelhecendo longe de mim e dos meus cuidados e vários pedaços vazios sem mim na família. Nessa cidade existem duas coisas perfeitas: a minha profissão, e o amor da minha vida. E eu levarei ambos comigo, junto de muito aprendizado. Mas o resto é resto e vai morrer aqui pra mim. Não digo nunca. Jamais. Porém, se algum dia eu tiver que voltar nessa cidade, será de uma maneira totalmente diferente, sem depender de ninguém.
Mas meu drama por aqui será sempre o mesmo. Estar presa dentro de casa, sem ter onde ir ou quem abraçar. Me perguntar: será que levanto da cama ou fico aqui esperando as horas passaram? De qualquer forma, eu passo o tempo esperando que as horas passem. E com ela os dias. E isso me deixa profundamente triste quando lembro a Fran que eu sou e está guardada aqui dentro. Uma Fran feliz, que ama a vida, o Sol, que ama viver. Essa Fran está guardada, e eu odeio isso. Odeio saber que o tempo aqui é desperdiçado esperando a minha juventude passar. Odeio. Mas o que eu poderia fazer por aqui? Levantar dessa cama e... caminhar até a cozinha? Sair no pátio e ver essa cadela neurótica latindo como se não houvesse amanhã? Ou fazer um chimarrão e dar uma volta no centro, na barão? Ou seja: quatro anos absolutamente iguais. Eu PRECISO de mais. Eu preciso respirar. Preciso de endorfina, serotonina. Preciso me sentir viva. Do contrário, não haverá resiliência suficiente pra me controlar.

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