A
cadela neurótica da vizinha late sem parar na minha janela. E eu me
pergunto quando vou rir disso tudo. [re]começar a escrever é um bom
passo, pois é o que me livra das sombras que eu crio em mim e não
conto pra ninguém. A minha poesia é o que me livra da loucura. Que
bom ter este blog-esconderijo pra pirar. Aqui é bom porque não sou
invisível, mas é como se eu fosse. Estava há quase um ano sem
escrever nada, e este é o segundo post do dia. Isso é bom, estou
tentando um 'heal'. Sinto que a minha loucura está aumentando
conforme os dias passam, e voam, mas não acabam. Estar aqui é como
ficar preso em um determinado período do passado. A gente espera o
futuro, e ele até vem. Mas vem de jegue. Não sei como pode: os dias
voam, mas a minha liberdade não chega. A vida é feita de escolhas,
claro. Eu fiz as minhas. Mas ao ver as minhas escolhas feitas, vejo
tantos pedaços pelo caminho. Sei que a vida é feita disso. Mas hoje
eu sofro pelos amigos verdadeiros que ficaram pelo caminho entre
esses 250 km de solidão inundada. Sofro quando vejo meus irmãos
crescendo sem minha presença. Sofro ao ver meus avós envelhecendo
longe de mim e dos meus cuidados e vários pedaços vazios sem mim na
família. Nessa cidade existem duas coisas perfeitas: a minha
profissão, e o amor da minha vida. E eu levarei ambos comigo, junto
de muito aprendizado. Mas o resto é resto e vai morrer aqui pra mim.
Não digo nunca. Jamais. Porém, se algum dia eu tiver que voltar
nessa cidade, será de uma maneira totalmente diferente, sem depender
de ninguém.
Mas
meu drama por aqui será sempre o mesmo. Estar presa dentro de casa,
sem ter onde ir ou quem abraçar. Me perguntar: será que levanto da
cama ou fico aqui esperando as horas passaram? De qualquer forma, eu
passo o tempo esperando que as horas passem. E com ela os dias. E
isso me deixa profundamente triste quando lembro a Fran que eu sou e
está guardada aqui dentro. Uma Fran feliz, que ama a vida, o Sol,
que ama viver. Essa Fran está guardada, e eu odeio isso. Odeio saber
que o tempo aqui é desperdiçado esperando a minha juventude passar.
Odeio. Mas o que eu poderia fazer por aqui? Levantar dessa cama e...
caminhar até a cozinha? Sair no pátio e ver essa cadela neurótica
latindo como se não houvesse amanhã? Ou fazer um chimarrão e dar
uma volta no centro, na barão? Ou seja: quatro anos absolutamente
iguais. Eu PRECISO de mais. Eu preciso respirar. Preciso de
endorfina, serotonina. Preciso me sentir viva. Do contrário, não
haverá resiliência suficiente pra me controlar.
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