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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Medo, medo, medo... desapareça!

03:46 da manhã, eu olho pro lado e tudo o que vejo é o cinzeiro. Em cima da cama o isqueiro e a carteira de cigarro com apenas 3 restantes da carteira que abri hoje cedo. Além disso, o celular carregando, a cama totalmente revirada, e eu. Minha mente girando em torno de mil coisas ao mesmo tempo, todas elas relacionadas a nós.  Preocupação por saber que estás doente, e eu nada posso fazer a respeito. Não posso te mimar, não posso te cuidar, não posso te abraçar pra deixar meu coração sentir meu mundo seguro novamente. Essa semana está sendo tensa e houve somente uma noite que meu travesseiro não se empoçou na minha saudade, nas minhas paranóias ou qualquer coisa do tipo. Por mais que os dias estejam indo, e o dia de te rever esteja se aproximando, esse maldito nó não quer deixar minha garganta. No travesseiro ao lado, o cinzeiro. Dentro dele, vários nós que estavam presos na minha garganta. Tenho fumado uma carteira de cigarros a cada 18 ou 20 horas mais ou menos. Isso depende de quantos nós surgem na minha garganta durante o dia - ou noite. Meu mundo inteiro está revirado por um único motivo: a tua ausência. Tá, eu sei que essa ausência não é tua porque eu sou quem deveria estar presente. Aí, e não aqui. Eu preciso voltar pra casa, voltar pra ti, voltar pra nós pra me sentir bem novamente. Eu preciso olhar pro lado e ver meu mundo, ao invés de ver as cinzas causadas pela ausência dele. Longe de ti, fica difícil respirar. Fica difícil deixar de transbordar no olhar a minha tristeza por não poder estar perto, junto, colado, grudado e enroscado. Fica difícil não demonstrar ao mundo o vazio que esse espaço em branco na cama me causa. E por isso as minhas lágrimas escorrem quase que na velocidade da luz, molhando o travesseiro e me deixando em segundo plano. Às vezes tenho a sensação de que meu coração, depois de te conhecer, não quer mais saber de mim. Sinto que meu coração não pode estar presente, porque está ocupado demais revivendo nossos momentos através de lembranças. Dentro de mim, um buraco negro e infinito que ecoa minha alma e retumba minha cabeça; fazendo eu não conseguir fazer mais nada além de pensar numa forma de acelerar o relógio. Uma mensagem boba no celular, e meu mundo simplesmente se abre e se enche de novas esperanças a respeito de dias melhores. Do meu lado, o maldito cinzeiro, sugando todas as minhas energias e transformando-as em pó. Em algum lugar aqui dentro, um medo absurdo que me faz enxergar medo em cada canto que eu direcionar meus olhares. Sinto-me infinitamente menor que meus medos, deixando-os tomar conta de tudo por aqui. No celular, nenhuma ligação que traga notícias. Nenhuma ligação que leve toda essa minha insegurança pra ti. Nenhuma voz doce e apaixonante do outro lado me impedindo de sentir toda essa angústia. Nenhuma parte de ti do outro lado dessa linha. Isso porque eu deveria estar há horas dormindo, e tudo o que sei fazer é sentir medo.Tenho medo que tenhas piorado, e que as dores que sentias antes de dormir tenham se tornado mais intensas. Tenho medo porque... senão eu, quem vai cuidar de ti? Sinto medo de estar me entregando demais à minha vulnerabilidade e à minha dependência em relação ao nosso calor. Sinto medo porque descobri que não sei lidar com a distância e sinto medo de sentir tanto medo. E sinto medo de sufocar. Sinto medo de não conseguir dormir sem ouvir que tudo vai ficar bem no momento em que eu voltar pra nossa vida. Sinto medo de não conseguir resistir a essa saudade até terça, porque sinto medo de não resisitir a essa noite. Sinto medo porque queria poder ligar agora e ouvir da tua boca que eu sou uma boba por achar que poderia te perder, mas sinto medo que isso possa vir a acontecer um dia. Sinto medo do que eu precisaria fazer com todo esse amor se de repente tu não o quisesse mais. Sei que somos mais, que somos tudo e que somos singulares. Mas meu medo me impede de dormir... e a ansiedade me impede de fechar os olhos para permitir que, ao se abrirem, eles vejam um novo dia. Dia esse que será véspera do fim de todos os meus medos e inseguranças; Mas que por parecer tão distante, me impede de descansar.r o cinzeiro

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