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terça-feira, 21 de junho de 2011

O estado em que me encontro

Eu tô puta da cara hoje, sabe? As coisas ao redor não fazem sentido algum. Parece que estou fora de eixo, flutuando sobre mares que estou cansada de conhecer, e tudo é muito chato e entediante. Nem ao menos uma pessoa do meu cotidiano real faz qualquer sentido. Faz pra lá de uma semana que não converso com alguém que fale coisas sensatas e suscetíveis à reflexão. Além disso, são 4 da manhã, e todas as pessoas interessantes do meu mundo virtual já estão deitadas, e eu permaneço noiada em frente ao computador, sem sentir sono e ouvindo Adriana Calcanhoto. Queria falar de amor, ou da ausência dele. Cadê a inspiração pra produzir algo de útil quando me sinto uma pessoa qualquer vegetando sobre esse teclado? Eu to precisando de vida, as coisas que estou escrevendo aqui significam quase que um grito de socorro por algo que me faça sentir qualquer sinal vida. Já faz um baita tempo que minha vida tá bagunçada – e não é no bom sentido. Eu começo a perceber isso quando deixo a casa atirada às traças, como hoje, como agora. Não sinto fome que possa me fazer rastejar até a cozinha. Não sinto frio, e como diria a Adriana “o inverno em (...) é quase glacial”. As coisas estão paradas, sem elos. Me sinto disconexa, perplexa, como se estivesse sob efeito de algo que me congelou no tempo. Não quero sair da cama, porque quando saio, venho pro computador. Não, não é depressão. Já pensei nisso, e não é. Mas porra, eu preciso conversar com pessoas que falem coisas interessantes. Nessa cidade, a coisa mais interessante que se pode ouvir é que fulano de tal tá comendo a fulana; ou que não sei quem está mal. Ou que o próprio narrador está mal. São só fofocas, e pensamentos pequenos de quem vive, mais do que numa cidade pequena, numa cabeça pequena. Parece que as idéias não florescem por aqui. Parece que as pessoas daqui vivem num cubinho pequeno de sonhos interioranos. Não, Fran, não parece; elas realmente vivem assim. Quando a minha frustração é grande demais e eu resolvo sair pra tomar um chimarrão e analisar as coisas ao redor, eu vejo milhares de pessoas fazendo a mesma coisa, e isso me dá impressão de que todas estão pedindo socorro tanto quanto eu. O único prazer de verdade é dormir e pensar: menos um dia que viverei nessa cápsula do tempo que estacionou no infinito do viver. Eu preciso de vida. Eu preciso transitar por aí, preciso expor sentimentos. Preciso querer sorrir (acreditem, isso é o mais difícil aqui). Sorrio por educação, por uma piada, por uma ignorância... enfim, por tudo, exceto o fato de querer sorrir. De sentir vontade de sorrir. De sorrir de forma involuntária. Eu sou o tipo de pessoa que a cada dia de vida surgem mil novos motivos pra viver. Aqui não é possível sequer compartilhar essas idéias, porque as pessoas não querem te ouvir falar. Elas preferem ser ouvidas. Elas, em primeiro lugar, não querem ouvir teu desabafo. Preferem desabafar um caminhão de problemas por cima de ti, sem sequer perguntar te olhando nos olhos: estás bem? Não digo bem de saúde, porque elas se preocupam com isso, ou fingem se preocupar. Parece que estão sempre ocupadas demais com suas idéias pequenas nas suas mentes limitadas e suas vidas recheadas de vidas alheias. Não entendo...
Sinto saudade da minha casa, e dos sorrisos sinceros e motivados. Sinto saudade de sentir o quanto faço falta naquele lugar, em qualquer lugar. Sinto saudade de abraçar alguém. Aliás, hoje faz uma semana que eu não dou um abraço. Não por falta de carisma, porque isso eu tenho de sobra. Não por falta de vontade, pois já virou necessidade. Não por desamor às pessoas daqui, até porque algumas delas eu gostaria de ter proximidade o suficiente. Ou ao menos, que elas notassem o quanto eu tento me aproximar. Pra finalizar esse poço de lamentações escritas, gostaria de deixar um pedido. Que Deus me dê forças psicológicas pra que eu consiga aguentar mais 2 anos e meio de solidão.

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